Brasil pode ter sobra de milho elevada: a conta dos estoques coloca a B3 em perspectiva

O mercado de milho segue com baixa liquidez e pressão sobre os preços. Projeções de exportações menores podem elevar os estoques nacionais, enquanto a B3 acumula quedas e reduz a distância em relação ao mercado físico.

Mercado

O mercado físico de milho no interior paulista segue com a comercialização mais travada. E aqui vale lembrar uma conta importante: São Paulo produz aproximadamente 5 milhões de toneladas por ano para uma demanda próxima de 10 milhões. Ou seja, temos um déficit estrutural de aproximadamente 5 milhões de toneladas e dependemos, durante todo o ano, da oferta e da comercialização de milho vindo de outros estados. E é justamente o milho tributado que, neste momento, está mais competitivo, chegando com preços que fecham uma conta melhor para o comprador do que o próprio milho paulista.

Mas o que realmente vem me incomodando são os números da Conab, principalmente no que diz respeito às exportações e ao estoque de passagem.

No mês anterior, a Conab projetava exportações de 46 milhões de toneladas. Agora reduziu para 43 milhões. Mesmo com essa redução, o balanço ainda trabalha com um estoque de passagem de 15,654 milhões de toneladas, considerando um consumo doméstico de 98,203 milhões.

A questão é que o mercado, entre analistas e conversas que venho acompanhando, trabalha com exportações mais próximas de 38 milhões de toneladas, diante do ritmo de embarques que tivemos até aqui. Se isso realmente acontecer, estamos falando de 5 milhões de toneladas a menos do que a Conab considera atualmente.

Mantendo todo o restante da conta constante, esse volume não exportado precisará encontrar destino no consumo interno ou permanecer nos estoques. Nesse exercício, o estoque de passagem poderia sair de 15,654 milhões para aproximadamente 20,654 milhões de toneladas, patamar que pode representar um recorde histórico e merece uma avaliação cuidadosa.

E aqui entra uma conta simples, mas que chama atenção. Com consumo doméstico anual de 98,203 milhões de toneladas, o estoque atualmente projetado pela Conab equivale a 58,2 dias de consumo interno. Se esse estoque chegar a 20 milhões de toneladas, passamos para 74,3 dias. Considerando os 20,654 milhões do nosso exercício, seriam aproximadamente 76,8 dias de consumo.

Estamos falando de quase 19 dias adicionais de cobertura, comparando a projeção atual com o cenário de exportações menores. Não é pouca coisa.

Claro que essa é uma conta seca, mantendo produção, consumo e demais variáveis constantes. Podemos ter que refazer tudo isso diante de novos números, e até jogar essa conta no lixo daqui a alguns minutos. Mas conhecer essas relações nos ajuda a entender o tamanho do risco e a olhar com mais cuidado para a curva de preços futuros da B3, que ainda carrega prêmio sobre o físico.

E aqui vale lembrar o que venho comentando nos últimos boletins: tínhamos uma gordurona na B3, boa parte foi devolvida, mas isso não significa que todo o ajuste terminou. O mercado físico também está cedendo, e a distância entre o disponível e os contratos futuros precisa continuar sendo acompanhada.

Minha leitura é que precisamos separar duas coisas: o déficit estrutural de milho em São Paulo e a possibilidade de um excedente nacional elevado. São Paulo continuará precisando comprar milho de outros estados, mas isso não significa que o Brasil esteja com pouca mercadoria. O que vai determinar o preço é a competitividade desse milho, o frete, a exportação, o consumo e, principalmente, a disposição de compradores e vendedores em fazer negócio.

No fim, estoque não é apenas um número no relatório, assim como prêmio na B3 não é garantia de oportunidade. O que importa é entender quanto milho teremos, onde ele estará, quem precisará comprar e a que preço essa conta vai fechar.

É essa leitura que precisa acompanhar nossas decisões, porque o mercado não negocia expectativa por muito tempo sem que os números comecem a aparecer.

Preços

Mercado hoje estável no físico, sem alterações.

Campinas (SP): comprador R$ 65,00 | vendedor R$ 66,00

Cooperativas: comprador R$ 59,00 | vendedor R$ 61,00

Milho tributado: comprador R$ 69,00 | vendedor R$ 71,00

Gráfico | Acompanhamento B3

📉 CCMX26 – Novembro/26

O milho novembro trabalha em R$ 67,29, depois de registrar mínima de R$ 67,13. O contrato segue abaixo das principais médias móveis, acumulando uma correção expressiva nas últimas semanas.

O IFR de 14 períodos está em 16,66, mostrando a intensidade do movimento recente. Vale observar que indicadores em níveis extremos não significam, necessariamente, uma mudança imediata no comportamento dos preços.

Outro ponto importante é a aproximação entre B3 e mercado físico. Considerando o ESALQ de R$ 65,43, indicado no gráfico, a diferença está próxima de R$ 1,86 por saca. Um spread bastante menor do que aquele observado nas semanas anteriores.

Pontos de atenção: comportamento dos preços próximos de R$ 67,00, evolução do spread com o indicador físico e intensidade das negociações nos próximos pregões.

Aviso

Material informativo, destinado exclusivamente aos usuários da plataforma Dellagro. As informações apresentam registros de mercado e observações sobre o comportamento dos preços, sem constituir recomendação de investimento, compra, venda ou negociação de contratos futuros.

📉 CCMF27 – Janeiro/27

O milho janeiro trabalha em R$ 71,24, com mínima de R$ 71,01, dando continuidade ao movimento de correção observado nos últimos pregões.

O contrato permanece abaixo das principais médias móveis, enquanto o IFR de 14 períodos está em 13,66, evidenciando a intensidade das quedas recentes.

Mesmo depois desse ajuste, janeiro continua apresentando um prêmio em relação ao novembro. Essa diferença merece acompanhamento, principalmente quando colocamos na mesma conta as expectativas de exportação, consumo doméstico e estoques de passagem.

Pontos de atenção: comportamento dos preços na região de R$ 71,00, diferença entre os vencimentos e evolução das referências do mercado físico.

Leitura do mercado

A B3 devolveu uma parcela importante da valorização construída anteriormente. Os dois contratos apresentam movimentos expressivos de baixa e indicadores técnicos em níveis extremos.

Mais do que antecipar uma recuperação ou a continuidade das quedas, o importante agora é acompanhar como os contratos se comportam diante das novas informações de Chicago, dólar, exportação e mercado físico.

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Brasil pode ter sobra de milho elevada: a conta dos estoques coloca a B3 em perspectiva

O mercado de milho segue com baixa liquidez e pressão sobre os preços. Projeções de exportações menores podem elevar os estoques nacionais, enquanto a B3 acumula quedas e reduz a distância em relação ao mercado físico.

Mercado

O mercado físico de milho no interior paulista segue com a comercialização mais travada. E aqui vale lembrar uma conta importante: São Paulo produz aproximadamente 5 milhões de toneladas por ano para uma demanda próxima de 10 milhões. Ou seja, temos um déficit estrutural de aproximadamente 5 milhões de toneladas e dependemos, durante todo o ano, da oferta e da comercialização de milho vindo de outros estados. E é justamente o milho tributado que, neste momento, está mais competitivo, chegando com preços que fecham uma conta melhor para o comprador do que o próprio milho paulista.

Mas o que realmente vem me incomodando são os números da Conab, principalmente no que diz respeito às exportações e ao estoque de passagem.

No mês anterior, a Conab projetava exportações de 46 milhões de toneladas. Agora reduziu para 43 milhões. Mesmo com essa redução, o balanço ainda trabalha com um estoque de passagem de 15,654 milhões de toneladas, considerando um consumo doméstico de 98,203 milhões.

A questão é que o mercado, entre analistas e conversas que venho acompanhando, trabalha com exportações mais próximas de 38 milhões de toneladas, diante do ritmo de embarques que tivemos até aqui. Se isso realmente acontecer, estamos falando de 5 milhões de toneladas a menos do que a Conab considera atualmente.

Mantendo todo o restante da conta constante, esse volume não exportado precisará encontrar destino no consumo interno ou permanecer nos estoques. Nesse exercício, o estoque de passagem poderia sair de 15,654 milhões para aproximadamente 20,654 milhões de toneladas, patamar que pode representar um recorde histórico e merece uma avaliação cuidadosa.

E aqui entra uma conta simples, mas que chama atenção. Com consumo doméstico anual de 98,203 milhões de toneladas, o estoque atualmente projetado pela Conab equivale a 58,2 dias de consumo interno. Se esse estoque chegar a 20 milhões de toneladas, passamos para 74,3 dias. Considerando os 20,654 milhões do nosso exercício, seriam aproximadamente 76,8 dias de consumo.

Estamos falando de quase 19 dias adicionais de cobertura, comparando a projeção atual com o cenário de exportações menores. Não é pouca coisa.

Claro que essa é uma conta seca, mantendo produção, consumo e demais variáveis constantes. Podemos ter que refazer tudo isso diante de novos números, e até jogar essa conta no lixo daqui a alguns minutos. Mas conhecer essas relações nos ajuda a entender o tamanho do risco e a olhar com mais cuidado para a curva de preços futuros da B3, que ainda carrega prêmio sobre o físico.

E aqui vale lembrar o que venho comentando nos últimos boletins: tínhamos uma gordurona na B3, boa parte foi devolvida, mas isso não significa que todo o ajuste terminou. O mercado físico também está cedendo, e a distância entre o disponível e os contratos futuros precisa continuar sendo acompanhada.

Minha leitura é que precisamos separar duas coisas: o déficit estrutural de milho em São Paulo e a possibilidade de um excedente nacional elevado. São Paulo continuará precisando comprar milho de outros estados, mas isso não significa que o Brasil esteja com pouca mercadoria. O que vai determinar o preço é a competitividade desse milho, o frete, a exportação, o consumo e, principalmente, a disposição de compradores e vendedores em fazer negócio.

No fim, estoque não é apenas um número no relatório, assim como prêmio na B3 não é garantia de oportunidade. O que importa é entender quanto milho teremos, onde ele estará, quem precisará comprar e a que preço essa conta vai fechar.

É essa leitura que precisa acompanhar nossas decisões, porque o mercado não negocia expectativa por muito tempo sem que os números comecem a aparecer.

Preços

Mercado hoje estável no físico, sem alterações.

Campinas (SP): comprador R$ 65,00 | vendedor R$ 66,00

Cooperativas: comprador R$ 59,00 | vendedor R$ 61,00

Milho tributado: comprador R$ 69,00 | vendedor R$ 71,00

Gráfico | Acompanhamento B3

📉 CCMX26 – Novembro/26

O milho novembro trabalha em R$ 67,29, depois de registrar mínima de R$ 67,13. O contrato segue abaixo das principais médias móveis, acumulando uma correção expressiva nas últimas semanas.

O IFR de 14 períodos está em 16,66, mostrando a intensidade do movimento recente. Vale observar que indicadores em níveis extremos não significam, necessariamente, uma mudança imediata no comportamento dos preços.

Outro ponto importante é a aproximação entre B3 e mercado físico. Considerando o ESALQ de R$ 65,43, indicado no gráfico, a diferença está próxima de R$ 1,86 por saca. Um spread bastante menor do que aquele observado nas semanas anteriores.

Pontos de atenção: comportamento dos preços próximos de R$ 67,00, evolução do spread com o indicador físico e intensidade das negociações nos próximos pregões.

Aviso

Material informativo, destinado exclusivamente aos usuários da plataforma Dellagro. As informações apresentam registros de mercado e observações sobre o comportamento dos preços, sem constituir recomendação de investimento, compra, venda ou negociação de contratos futuros.

📉 CCMF27 – Janeiro/27

O milho janeiro trabalha em R$ 71,24, com mínima de R$ 71,01, dando continuidade ao movimento de correção observado nos últimos pregões.

O contrato permanece abaixo das principais médias móveis, enquanto o IFR de 14 períodos está em 13,66, evidenciando a intensidade das quedas recentes.

Mesmo depois desse ajuste, janeiro continua apresentando um prêmio em relação ao novembro. Essa diferença merece acompanhamento, principalmente quando colocamos na mesma conta as expectativas de exportação, consumo doméstico e estoques de passagem.

Pontos de atenção: comportamento dos preços na região de R$ 71,00, diferença entre os vencimentos e evolução das referências do mercado físico.

Leitura do mercado

A B3 devolveu uma parcela importante da valorização construída anteriormente. Os dois contratos apresentam movimentos expressivos de baixa e indicadores técnicos em níveis extremos.

Mais do que antecipar uma recuperação ou a continuidade das quedas, o importante agora é acompanhar como os contratos se comportam diante das novas informações de Chicago, dólar, exportação e mercado físico.

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