O mercado de soja dos Estados Unidos segue pressionado por previsões climáticas favoráveis no Meio-Oeste, mas duas variáveis comerciais podem mudar o balanço americano nos próximos meses: uma eventual compra de grãos pelo Irã, com recursos destravados pelos Estados Unidos, e o cumprimento, pela China, da promessa de adquirir 25 milhões de toneladas de soja americana por ano nos próximos três ciclos comerciais.
A avaliação é do economista-chefe de commodities da StoneX, Arlan Suderman, em análise divulgada nesta quarta-feira.
O pano de fundo geopolítico ainda é incerto. Suderman disse que os disparos entre os Estados Unidos e o Irã cessaram e que navios voltaram a cruzar o Estreito de Hormuz, mas o fluxo diário segue bem abaixo do padrão anterior à guerra, que era de 80 a 130 embarcações por dia.
A retomada plena da atividade no Golfo Pérsico, segundo ele, dependerá não apenas da saída dos navios retidos na região, mas também do retorno de carregamentos para buscar petróleo e outros produtos, movimento que ainda não ocorreu em volume significativo.
O governo americano afirma que ativos iranianos congelados poderão ser liberados para a compra de alimentos e medicamentos e que parte desses recursos poderia financiar aquisições de commodities agrícolas dos Estados Unidos. Suderman observou que ainda não há confirmação de carregamentos nessa direção.
“Qualquer confirmação de navios carregando commodities agrícolas americanas para o Irã daria respaldo às declarações da Casa Branca”, disse.
Em 2025, o Irã importou cerca de 18 milhões de toneladas de milho, soja e trigo, com predomínio de milho brasileiro. O país não realiza compras relevantes de produtos agrícolas americanos desde 2018.
A China é a outra variável. Suderman destacou que Pequim cumpriu o compromisso de adquirir 12 milhões de toneladas de soja americana na temporada atual e que os embarques estão praticamente concluídos, o que o analista considerou uma exceção positiva ao histórico chinês no tema.
O mercado, porém, duvida que o país honre a meta de 25 milhões de toneladas por ano nos próximos três ciclos, além de US$ 17 bilhões em outras commodities agrícolas, conforme anunciado por Washington.