A instabilidade política no Irã praticamente paralisou o comércio de milho brasileiro com o país, travando cerca de 90% das operações por dificuldades em cartas de crédito e comunicações, segundo o economista Dan Basse, da AgResource, em transmissão nesta segunda-feira. O mercado iraniano é responsável por aproximadamente 11% das exportações brasileiras de milho, e o país persa figura como o 17º maior importador mundial de grãos, absorvendo anualmente cerca de 21 milhões de toneladas entre milho, trigo, farelo de soja, soja em grão e cevada. “Hoje me preocupo com as cargas brasileiras de milho que não conseguem obter cartas de crédito, que não encontram comunicação para entrar. Não digo que estamos totalmente parados, mas estamos 90% parados no comércio iraniano”, afirmou Basse.
O analista Ben Buckner, também da AgResource, destacou que o episódio iraniano ilustra o peso crescente de fatores geopolíticos sobre o mercado de grãos em 2026, em um cenário mais amplo de reconfiguração do comércio global. Segundo Basse, o ano deve ser marcado menos por questões tarifárias e mais por uma mudança estratégica dos Estados Unidos, que perdem espaço nas exportações enquanto a oferta sul-americana avança. “Acredito que vamos olhar para 2026 como o ano em que a perspectiva global ampla e a segurança regional pesaram mais do que o comércio em si”, afirmou.
No mercado de milho, a consultoria diz que a China dificilmente será compradora relevante do cereal americano em 2026. O governo chinês reportou produção de 301,2 milhões de toneladas, refletindo o esforço do país em elevar a produtividade doméstica e reduzir a dependência externa. Segundo Basse, a manutenção da tarifa de 10% sobre grãos americanos e a disponibilidade de origens mais baratas praticamente eliminam os Estados Unidos como fornecedor de milho para a China.