Apesar da expectativa de demanda aquecida por carne bovina em 2026, há pressão crescente sobre a rentabilidade do pecuarista diante do encarecimento do gado de reposição, com preços já em patamares historicamente elevados. A alta das categorias jovens piora a relação de troca.
Em São Paulo, por exemplo, ao vender um boi gordo de 20 arrobas, o produtor precisa de cerca de 14,2 arrobas para recomprar um boi magro e de 9 arrobas para repor um bezerro de desmama — sendo que aproximadamente 75% do custo da atividade está concentrado no boi magro.
Apesar do cenário positivo para os preços da arroba, a reposição se tornou o principal ponto de atenção da pecuária. A demanda segue forte e o mercado apresenta um viés favorável, mas o custo de recomposição do rebanho exige cautela.
O ciclo pecuário atual, após anos consecutivos de abate elevado de fêmeas — com pico recente — começa a reduzir a oferta de animais jovens, encarecendo ainda mais a reposição. Esse movimento diminui a disponibilidade de matrizes e sustenta os preços das categorias jovens.
Nos últimos movimentos do ciclo, o gado de reposição acumulou valorização entre 55% e 63%, superando a alta da arroba do boi gordo, o que intensifica a pressão sobre as margens do produtor.
Atualmente, a arroba se mantém em patamar elevado, ao redor de R$ 365 no mercado físico, com negociações futuras próximas de R$ 372.