A China deve comprar cerca de 10 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nas próximas semanas, caso um acordo comercial seja fechado entre os dois países, estima a StoneX. Esse volume cobriria apenas a necessidade imediata e valeria até fevereiro, quando a nova safra brasileira entra no mercado e passa a ocupar os portos chineses. A partir daí, o Brasil volta a ser o principal fornecedor.
A projeção é do economista-chefe de commodities da corretora, Arlan Suderman, em análise transmitida nesta segunda-feira. Ele afirmou que o mercado está reagindo a uma proposta de acordo discutida no fim de semana entre Washington e Pequim, mas alertou que ainda não há garantia de que o entendimento avance. “A questão é: temos de fato um acordo comercial ou é mais uma onda que vai desmoronar?”, questionou.
Para Suderman, compras acima de 10 milhões de toneladas no curto prazo são improváveis porque, a partir de fevereiro, “os navios com soja do Brasil vão ocupar a linha de descarga nos portos chineses”. Volumes adicionais tenderiam a ser empurrados para o próximo ano comercial, o que “pode decepcionar parte do mercado”, disse.
Com essa possível compra, os estoques americanos de soja terminariam a temporada em nível considerado apertado — entre algo como 8 milhões e 12 milhões de toneladas, dependendo do rendimento final da safra dos EUA. Suderman descreveu esse nível como “suficiente para atender à demanda, mas com pouca margem de erro caso haja problema climático na América do Sul”.
O possível acordo entre Estados Unidos e China, segundo ele, vai além da soja. Negociadores dos dois lados saíram de reuniões na Malásia com um entendimento preliminar que inclui: suspensão por um ano das restrições chinesas à exportação de minerais de terras raras e ímãs industriais; retirada, pelos EUA, da ameaça de tarifas extras de 100% sobre produtos chineses; e o compromisso de Pequim de reforçar o controle sobre o fentanil e seus precursores.
Suderman avaliou, porém, que “a China deve manter limitações em itens sensíveis para uso militar”.