A derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições legislativas de terça-feira (3) pode enfraquecer o dólar e abrir espaço para uma recuperação dos preços de soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago (CBOT), avaliou o vice-presidente de vendas da StoneX, Bertrand Oesterle, em transmissão nesta quarta-feira (4).
Segundo ele, a conquista da Câmara e do Senado pelos democratas tende a limitar a atuação do presidente e ampliar a fiscalização sobre seu governo. Apesar da queda da moeda americana nesta manhã, os contratos de soja e milho ainda não mostravam reação.
“Trump sofreu uma derrota. A tendência é que, com maior presença dos democratas, ele tenha menos margem de manobra e fique sujeito a maior fiscalização”, afirmou Oesterle. “Estamos começando a ver o dólar se enfraquecer, e um dólar mais fraco deveria favorecer uma recuperação em Chicago. Mas, por enquanto, o trigo sobe um pouco, enquanto milho e soja continuam para trás.”
O executivo ponderou que o avanço democrata já era esperado e pode estar parcialmente incorporado aos preços. Por isso, considera determinante o comportamento do dólar nos próximos dias para uma eventual recuperação dos grãos. Uma moeda americana mais fraca tende a aumentar a competitividade dos produtos agrícolas dos Estados Unidos no mercado internacional.
A possibilidade de reação, contudo, esbarra nas perspectivas de oferta elevada. A StoneX estima produtividade americana de 183,1 bushels por acre para o milho, ante 182,1 bushels por acre no levantamento anterior. Na soja, a projeção subiu de 54,1 para 55 bushels por acre.
Os números antecedem o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para terça-feira (10). “São novamente dois números muito altos que, se forem confirmados pelo USDA, podem pressionar bastante os preços”, disse Oesterle.
No milho, o executivo destacou que os fundos especulativos passaram de uma posição líquida comprada para uma posição líquida vendida em Chicago, diante da expectativa de produção elevada e da demanda ainda insuficiente para sustentar as cotações.