Mercado
O mercado físico de milho em São Paulo continua sem liquidez, com compradores recuados e vendedores ainda buscando negócios. As pedidas podem passar por novos ajustes para baixo, mas é importante observar o que poderia mudar essa leitura: cooperativas interrompendo as reduções, portos voltando a indicar preços melhores e grandes compradores começando a sair da cobertura de estoques. Conseguem desenhar esse cenário?
Por enquanto, o controle continua nas mãos do comprador. O grande consumidor trabalha com estoques confortáveis e cobertura para outubro, compra somente o necessário e aproveita cada rodada de queda para reduzir o custo médio da tonelada de ração. Do outro lado, o vendedor já ajustou suas pedidas, conseguiu realizar alguns negócios, mas encontra compradores que voltam a reduzir as indicações. A B3 também merece atenção, porque o primeiro vencimento ainda carrega prêmio sobre o indicador ESALQ, mesmo depois de toda a correção recente.
Lá fora, a CBOT trabalha novamente no negativo, com milho, soja e trigo pressionados principalmente pelo avanço da colheita americana e pela liquidação de posições dos fundos. O milho sente mais diretamente a oferta elevada nos Estados Unidos e a perda de referências técnicas importantes. Soja e trigo acompanham o movimento, com vendas técnicas, boa disponibilidade global e sinais mais fracos nas exportações. O dólar mais firme no mercado internacional também pesa sobre as cotações. Por enquanto, o movimento parece mais associado à oferta e ao ajuste de posições do que propriamente a um colapso da demanda.
No clima, a semana começa com tempo mais firme no Sul e no Centro-Oeste, favorecendo o plantio da soja, a colheita da cana e os trabalhos nas lavouras. No Norte, as chuvas seguem fracas e irregulares, enquanto o Nordeste continua enfrentando temperaturas elevadas. A partir de quarta-feira (21), uma frente fria deve trazer chuvas mais fortes e temporais para o Paraná, oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, avançando posteriormente em direção ao Brasil central. Para sábado (24), os modelos europeu e americano indicam tempo aberto em grande parte do Centro-Oeste, enquanto a instabilidade no litoral do Sudeste e do Paraná merece atenção pelos possíveis impactos nas operações dos portos de Santos e Paranaguá. O principal ponto de atenção continua sendo a irregularidade das chuvas no Matopiba e em áreas do Oeste, que pode persistir até o fim de outubro e merece acompanhamento pela evolução do plantio.
No geral, seguimos com um mercado físico pressionado, comprador confortável e vendedor procurando liquidez. Para uma nova rodada de queda mais intensa, será importante observar se CBOT, dólar e paridade de exportação continuarão somando pressão. Caso essas variáveis percam força, alguma recuperação pontual dos preços pode acontecer, inclusive na B3, que vem trabalhando em condição de sobrevenda.
O ponto continua sendo separar um repique técnico de uma mudança efetiva de tendência. O mercado já ajustou bastante, mas ainda precisa mostrar o que pode interromper esse movimento.
Preços:
Mercado inalterado, vendedor preocupado.
Campinas (SP): comprador R$ 63,50 -0,50 | vendedor R$ 65,00
Cooperativas: comprador R$ 58,00 | vendedor R$ 60,00
Milho tributado: comprador R$ 68,00 | vendedor R$ 70,00
Gráfico | Acompanhamento B3
📉 CCMX26 – Novembro/26
O milho novembro trabalha em R$ 66,47, depois de registrar mínima de R$ 66,23, dando continuidade ao movimento de queda que acompanhamos nos últimos boletins. Na quinta-feira, o contrato estava em R$ 67,29, e na sexta já trabalhava em R$ 66,81. Hoje, novamente, os preços seguem mais baixos.
Outro ponto que merece atenção é a aproximação entre B3 e mercado físico. O prêmio que chegou a ser bastante elevado diminuiu expressivamente. Agora, com o novembro mais próximo das referências do físico, o comportamento do ESALQ e do iDellagro ganha ainda mais importância, principalmente porque os indicadores também vêm acompanhando o enfraquecimento dos preços.
Pontos de atenção: comportamento dos preços na região de R$ 66,23, proximidade das referências de R$ 65,25 e R$ 64,33 no gráfico, evolução do spread frente ao físico e intensidade das negociações.
📉 CCMF27 – Janeiro/27
O milho janeiro trabalha em R$ 70,64, depois de registrar mínima de R$ 70,61. O contrato também segue em correção. Na quinta-feira, estava em R$ 71,24 e, na sexta, em R$ 70,80.
O IFR de 14 períodos está em 12,54, mostrando que o movimento continua bastante intenso. O contrato permanece abaixo das principais médias móveis e ainda não apresenta uma mudança clara no comportamento recente dos preços.
Mesmo depois de todo esse ajuste, janeiro continua trabalhando cerca de R$ 4,17 por saca acima do novembro. Essa diferença merece atenção, principalmente quando colocamos na mesma conta o ritmo das exportações brasileiras, o consumo doméstico e a possibilidade de estoques de passagem mais elevados.