Mercado
O mercado físico de milho em São Paulo continua pressionado, agora não apenas pelas ofertas de milho tributado, mas também por outros movimentos que vêm ganhando força. As cooperativas reduziram preços de balcão e o produtor começou a intensificar as fixações, mostrando maior aceitação de que tem milho disponível e precisa vender.
Na minha leitura, esse movimento acontece num momento pouco favorável. Não estou dizendo que o produtor não deva vender, mas ele teve oportunidades de negociar a preços melhores e parece tomar a decisão somente quando o desconforto aumenta. Claro que a decisão é dele, apenas faço essa observação sobre o comportamento da comercialização.
Outro ponto que vem chamando atenção é o aumento das ofertas de lotes mais expressivos, entre 1.000 e 2.000 toneladas, que chegam a passar pelas mãos de dez corretores diferentes. Isso pode criar a impressão de uma oferta muito maior do que realmente existe, porque o mesmo milho acaba sendo oferecido por vários participantes. Considero esse movimento normal em momentos de menor liquidez, mas ele também mostra que a procura por compradores aumentou.
O problema é que essa liquidez não apareceu na mesma proporção. E, para que os negócios aconteçam, vendedores podem precisar ajustar novamente suas intenções de preço para baixo.
Lá fora, a CBOT trabalha toda no negativo, o petróleo também apresenta queda importante e o dólar opera próximo de R$ 5,10, praticamente estável em relação a ontem. Esse conjunto não ajuda o mercado físico a recuperar força neste momento.
Vale resgatar o informativo do dia 9 de outubro: “O mercado físico deverá sentir esses efeitos com mais intensidade na próxima semana.”
Pois bem, estamos justamente nessa semana, e foi o que aconteceu. O aumento das ofertas, as fixações nas cooperativas e a dificuldade de encontrar compradores confirmaram aquele alerta.
O mercado continua ajustando preços e, até aqui, ainda não vejo sinais claros de estabilização dessa queda. É um movimento que merece atenção, principalmente porque a pressão agora também aparece no comportamento de quem precisa vender.
Preços
Negócios realizados com preços em queda e indicações mais pressionadas.
Campinas (SP): comprador R$ 64,00 -1,00 | vendedor R$ 65,00 -1,00
Cooperativas: comprador R$ 58,00 -1,00 | vendedor R$ 60,00 -1,00
Milho tributado: comprador R$ 68,00 -1,00 | vendedor R$ 70,00 -1,00
Gráfico | Acompanhamento B3
📉 CCMX26 – Novembro/26
O milho novembro trabalha em R$ 66,81, depois de registrar mínima de R$ 66,50, dando continuidade ao movimento de queda das últimas semanas. O contrato perdeu a referência de R$ 67,47, que vínhamos acompanhando, e segue abaixo das principais médias móveis.
Outro ponto importante é a aproximação entre B3 e mercado físico. A diferença que chegou a ser bastante elevada diminuiu expressivamente, mas precisa continuar sendo acompanhada junto com o ESALQ e o iDellagro, especialmente porque o físico também vem recuando.
Pontos de atenção: comportamento dos preços na região de R$ 66,50, próxima referência inferior em R$ 65,25, evolução do spread com o mercado físico e intensidade das negociações.
📉 CCMF27 – Janeiro/27
O milho janeiro trabalha em R$ 70,80, também renovando mínimas e dando continuidade à correção observada nos últimos pregões.
O contrato permanece abaixo das principais médias móveis, enquanto o IFR de 14 períodos chegou a 12,86, evidenciando a intensidade do movimento recente. A região de R$ 70,22 aparece como uma referência importante no gráfico.
Mesmo depois de toda essa correção, janeiro continua trabalhando aproximadamente R$ 4,00 por saca acima do novembro. Essa diferença merece acompanhamento, principalmente diante das discussões sobre exportação, consumo doméstico e estoques de passagem.
Pontos de atenção: comportamento dos preços próximos de R$ 70,80 e R$ 70,22, diferença entre os vencimentos e evolução das referências do mercado físico.
Leitura do mercado
A B3 continua devolvendo a valorização construída anteriormente. Os dois contratos seguem registrando novas mínimas e indicadores técnicos em níveis extremos.
Vale destacar que sobrevenda não significa necessariamente que o mercado encontrou um piso. O comportamento dos preços precisa ser observado junto com as condições de liquidez, do mercado físico e as referências externas.
Mais do que antecipar a continuidade das quedas ou uma recuperação, o importante é acompanhar como os contratos se comportam diante das informações de Chicago, dólar, exportação e estoques de passagem.
O gráfico ajuda a entender o movimento dos preços, mas não pode ser analisado isoladamente.