Mercado
O mercado físico de milho segue em descompasso com o mercado futuro e, com isso, o spread aumentou. Os preços no físico não dispararam na mesma proporção da B3. Pelo contrário: a liquidez ainda trabalha a favor do comprador, que encontra ofertas razoáveis, enquanto o produtor, mesmo contrariado com os preços, precisa vender para gerar volume e fazer caixa.
As cooperativas também vêm orientando melhor as vendas para liberar espaço. Ainda existem estoques de soja e, com a evolução da colheita do milho em SP, cresce a percepção de que pode haver pressão mais adiante. Por isso, o produtor começa a organizar melhor a comercialização — e acredito que esse seja o momento correto para isso, uma execução parcial da estratégia.
Na B3, quem não está satisfeito com o preço do milho físico encontra uma curva futura mais atrativa, com valores que o mercado disponível ainda não paga — e talvez nem chegue a pagar, embora isso não possa ser afirmado agora. Essa diferença abre espaço para travas parciais, seja pela venda de contratos futuros, seja pela compra de puts ou por estruturas de put spread, que permitem limitar total ou parcialmente o risco de queda.
A grande dúvida é se essa alta faz sentido e se ainda há espaço para avançar. Essa resposta não deve vir apenas da tentativa de acertar o timing do mercado. É preciso colocar as contas na mesa: custo de produção, margem e necessidade de caixa. A partir daí, a decisão tende a ser mais assertiva. No mercado futuro, seguimos atentos aos movimentos técnicos e aos indicadores que possam sinalizar exaustão ou inversão de tendência.
Fato que o mercado está com volatilidade enorme e sem direcional claro.
Preços
• Campinas/SP: comprador R$ 66,00 (-0,50) | vendedor R$ 68,00
• Cooperativas: comprador R$ 62,00 | vendedor R$ 63,00
• Milho tributado: comprador R$ 68,00 | vendedor R$ 70,00