Com a divulgação, na noite de ontem, terça-feira (19) no Brasil, manhã de quarta (20) na China, dos números da GACC referentes a abril, a leitura sobre a cota chinesa de importação de carne bovina brasileira ganha um novo ponto de referência. Segundo a alfândega chinesa, foram internalizadas 100.836,526 toneladas em abril, levando o acumulado oficial entre janeiro e abril para 612.866,526 toneladas, ou aproximadamente 55,4% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas.
Além dos números oficiais da GACC, é importante considerar também a defasagem logística entre os embarques registrados pela SECEX no Brasil e a efetiva chegada/internalização desses volumes na China. Trabalhando com uma defasagem média de aproximadamente 45 dias, estimamos que as 135.472,388 toneladas embarcadas em março devem chegar à China entre maio e junho, enquanto as 101.990,285 toneladas embarcadas em abril devem chegar entre junho e julho.
Somando os dados oficiais da GACC entre janeiro e abril ao pipeline da SECEX de março e abril, chegamos a aproximadamente 850.329 toneladas, ou cerca de 77,0% da cota. Com isso, o saldo estimado ainda disponível seria de 255.671 toneladas.
Considerando a média mensal de internalização divulgada pela GACC entre janeiro e abril, de 153.217 toneladas/mês, e levando em conta eventuais duplicidades resultantes da defasagem logística entre os dados da SECEX e da GACC, nossa projeção é de que a carne bovina brasileira embarcada no fim de junho e início de julho possa estar entre as primeiras efetivamente expostas à tarifa adicional na chegada à China, prevista ao longo de agosto.
Dessa forma, o preenchimento integral da cota ainda em maio segue praticamente fora do cenário. A atenção agora se volta para o ritmo de internalização dos próximos meses e, principalmente, para o calendário dos embarques brasileiros que podem chegar à China após o eventual atingimento de 100% da cota.