A volatilidade do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã passou a dominar a formação de preços das commodities agrícolas nos últimos dias, adicionando um prêmio geopolítico às cotações de grãos. Para a AgResource, o movimento tende a ser temporário, se o conflito não se prolongar, e os repiques representam oportunidade de venda. A avaliação foi feita pelo presidente da consultoria, Dan Basse, e pelo analista Ben Buckner em transmissão nesta terça-feira.
Basse afirmou que o mercado de energia registrou oscilações incomuns até para padrões históricos. O petróleo chegou a operar próximo de US$ 120 por barril no domingo à noite, após uma variação diária de quase US$ 38 na véspera. “Estamos vendo uma volatilidade que raramente aparece em décadas de mercado”, disse.
A principal variável no curto prazo, segundo ele, é a situação do Estreito de Ormuz. “A grande pergunta é quais navios conseguem passar, para onde estão indo e o que estão transportando. Esse fator deve dominar a descoberta de preços nos próximos dias”, afirmou Buckner.
No milho, os contratos de julho em Chicago (CBOT) estavam próximos de US$ 4,40 por bushel após o relatório de oferta e demanda (Wasde) de fevereiro do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), nível considerado compatível com os fundamentos.
Nos últimos dias, subiram para cerca de US$ 4,62. “Cerca de 20 centavos por bushel vieram basicamente do prêmio de guerra”, disse Basse. Em alguns momentos, o adicional chegou a quase 40 centavos, com o milho dezembro flertando com US$ 5,00 por bushel.