O avanço da colheita de soja no Brasil tem reduzido o espaço para compras chinesas da oleaginosa dos Estados Unidos, avaliou nesta quarta-feira o vice-presidente da StoneX, Bertrand Oesterle. Segundo ele, a maior disponibilidade brasileira torna a origem mais competitiva e diminui a necessidade de a China se comprometer com volumes americanos neste início de ano. “Para o primeiro semestre, é improvável que a China se comprometa firmemente simplesmente porque os brasileiros serão mais baratos”, afirmou Oesterle, em transmissão.
Na avaliação do executivo, a China deve priorizar a soja do Brasil nos próximos quatro ou cinco meses, à medida que a colheita avança no País. De acordo com Oesterle, o Brasil já colheu cerca de 5% da área de soja, ritmo considerado adiantado. “É colhida cedo, o que significa que é exportada cedo”, disse. Para ele, esse fluxo antecipado de oferta ajuda a explicar a ausência de compras chinesas de soja dos Estados Unidos na última semana. “Se você tivesse o gráfico da semana passada, haveria zero nele. Não vi confirmação firme da China comprando soja na última semana”, afirmou.
A possibilidade de a China voltar a comprar soja americana para cumprir uma eventual meta de 25 milhões de toneladas ao longo de 2026 segue aberta, mas perdeu força neste momento. “O mercado entende que a China não precisa se comprometer agora”, disse.
Nos Estados Unidos, as exportações de soja mostram recuperação, mas ainda não atingem o ritmo necessário para cumprir a meta anual. Segundo Oesterle, os embarques estão cerca de 6% abaixo da trajetória exigida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Algumas semanas atrás estávamos 21% atrás, depois 19%, depois 15%. Agora estamos 6% atrás”, afirmou.
Em relação ao milho, segundo ele, as exportações americanas estão cerca de 8% à frente do ritmo projetado, enquanto os estoques de etanol nos Estados Unidos alcançam aproximadamente 25,7 milhões de barris. “Quando esses estoques estão subindo, tende a indicar que o mercado está esperando demanda”, disse.