Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam em alta nesta quinta-feira, após dados de vendas externas dos Estados Unidos que vieram acima das expectativas do mercado. O Departamento de Agricultura do país (USDA) disse que exportadores venderam 1,143 milhão de toneladas de soja da safra 2025/26, já descontados os cancelamentos, na semana encerrada em 14 de agosto. Para 2024/25, os cancelamentos superaram as vendas em 5,7 mil toneladas. O saldo de vendas das duas temporadas, de aproximadamente 1,137 milhão de toneladas, ficou acima do teto das estimativas de analistas, de 1,10 milhão de toneladas. A China não apareceu entre os principais compradores, pelo menos de forma explícita.
Os ganhos também são sustentados pela previsão de chuvas escassas nos próximos dias em boa parte do Meio-Oeste dos EUA, disse a Granar. O clima em agosto é particularmente importante para a definição do rendimento da oleaginosa. De acordo com o Monitor da Seca dos EUA, 9% da área coberta com soja no país apresentava algum nível de estiagem, ante 3% na semana anterior. Essa situação deve se agravar com o tempo seco previsto para o Meio-Oeste.
O desempenho do óleo de soja, que sobe mais de 5%, é outro fator de suporte para os preços. Segundo a Granar, a alta se deve em parte à chance de que grandes refinarias de petróleo nos EUA sejam obrigadas a misturar um maior volume de biocombustíveis a combustíveis fósseis, para compensar possíveis isenções concedidas a pequenas refinarias. O óleo de soja é uma das principais matérias-primas usadas na fabricação de biodiesel.
Dados de campo da expedição de safra Pro Farmer Crop Tour mostraram que a contagem de vagens em Illinois ficou em 1.479,22 por jarda quadrada (1 jarda quadrada = 0,836 metro quadrado). O número representa aumento de 4,24% ante o ano passado e de 12,63% em relação à média dos três anos anteriores. No oeste de Iowa, doenças geram cautela, apesar dos bons números. No distrito 1, a contagem de vagens chegou a 1.279,25 por jarda quadrada, 15,38% maior do que em 2024, e 15,05% acima da média dos últimos três anos. O distrito 4 teve 1.376,15 vagens por jarda quadrada, alta de 9,73% ante o ano passado e de 13,63% frente à média de três anos. Já o distrito 7 teve contagem de 1.562,54 vagens por jarda quadrada, 14,37% acima de 2024 e 24,66% superior à média de três anos.
Os contratos de milho sobem, também refletindo a forte demanda pelo grão norte-americano. Segundo o USDA, exportadores venderam 2,86 milhões de toneladas de milho da safra 2025/26, já descontados os cancelamentos, na semana até 14 de agosto. Para a temporada 2024/25, cancelamentos superaram as vendas em 27,1 mil toneladas. O saldo de vendas das duas safras, de 2,833 milhões de toneladas, superou o teto das estimativas de analistas, de 2,20 milhões de toneladas. O fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol, contribui para os ganhos.
Além disso, participantes da Pro Farmer Crop Tour demonstraram preocupação com sinais de doenças nas plantas no terceiro dia da expedição. Em Illinois, a produtividade média do milho foi estimada em 12,52 toneladas por hectare, recuo de 2,24% em relação a igual período de 2024, mas 1,72% maior do que a média das três safras anteriores. Para a agrônoma da Pioneer Seeds, Clarabell Probasco, em Illinois, assim como em outros Estados, problemas com doenças como a ferrugem do sul e as manchas de alcatrão têm afetado o milho, reduzindo seu potencial de rendimento.
No oeste de Iowa, a estimativa de rendimento de milho subiu nos três distritos visitados ontem. No distrito 1, a projeção ficou em 12,42 toneladas por hectare, 12,06% maior do que no ano passado e 9,88% acima da média das três safras anteriores. No distrito 4, o rendimento foi projetado em 13 toneladas por hectare, avanço de 5,82% na comparação anual e de 14% ante a média das safras passadas. Já no distrito 7, a produtividade esperada é de 12,24 toneladas por hectare, 1,8% superior à de 2024 e 6,35% maior do que a média dos três anos anteriores.
“Hoje vimos uma safra excelente, mas com um grande risco. Nunca vi uma área com maior possibilidade de perda de produtividade por doenças do que no milho do oeste de Iowa”, afirmou o líder da parte oeste da expedição, Chip Flory. “Eu sei, parece exagero. Mas não acho que seja. Há muitos bushels em risco”, concluiu.