O atraso na colheita da safra 2024/25 de soja no Brasil pode afetar tanto o plantio do milho safrinha quanto os prêmios da oleaginosa nos portos brasileiros, afirmou a analista do Rabobank Marcela Marini, durante o Encontro Safra 2024/25, promovido pelo Sistema Ocepar nesta quarta-feira. “O atraso na colheita da soja está empurrando o plantio da segunda safra de milho para fora da janela ideal em diversas regiões, especialmente em Mato Grosso, o que pode prejudicar a produtividade”, disse Marini.
A especialista destacou que as chuvas excessivas no Centro-Oeste têm dificultado o escoamento da soja e podem levar ao plantio tardio do milho, aumentando o risco de exposição às secas típicas do outono. O Rabobank estima que a produção total de milho no Brasil deve alcançar 126 milhões de toneladas, mas a incerteza sobre o desenvolvimento da safrinha pode afetar essa projeção. “Se a janela de plantio continuar apertada, há um risco maior de queda no potencial produtivo”, afirmou Marini.
Além dos desafios para o milho, o atraso na colheita e o alto volume da safra de soja devem pressionar os prêmios nos portos brasileiros nos próximos meses. “A colheita foi muito atrasada e concentrada, o que pode afetar negativamente os prêmios da soja no Brasil”, disse Marini.
O Rabobank projeta uma safra recorde de 170 milhões de toneladas de soja, com exportações estimadas em 113 milhões de toneladas e um aumento no esmagamento interno impulsionado pela mistura de biodiesel, que passará de 14% para 15% em março. Ainda assim, a analista alertou que o pico de estoques entre abril e junho pode pressionar ainda mais os prêmios. “A grande oferta e a dificuldade de escoamento podem limitar a precificação da soja no primeiro semestre”, explicou.
Para o segundo semestre, o cenário pode ser diferente, caso haja uma redução na exportação de milho e menos competição por espaço nos portos. “Se a exportação de milho diminuir e a soja ganhar mais fluxo nos embarques, podemos ter um suporte para os prêmios”, disse.